A Horta Marielle Braço Forte foi criada por moradores de uma das ocupações do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), Ocupação 8 de Março. A ocupação teve início há cerca de 2 anos, durante a pandemia da COVID-19, em um terreno privado e abandonado há mais de 40 anos. Trata-se de uma das áreas de maior especulação imobiliária da cidade do Recife, no bairro de Setúbal, zona sul da cidade.

Por ser liderada por mulheres, a Ocupação 8 de Março recebeu esse nome devido ao Dia Internacional da Mulher e a Horta Marielle Braço Forte em homenagem à Marielle Franco, vereadora e socióloga assassinada por motivos políticos no Rio de Janeiro.Thamiris Santos, uma das coordenadoras da ocupação e integrante da Articulação de Agroecologia, Agricultura Urbana e Periurbana da Região Metropolitana do Recife (AUP RMR), comenta que todos os trabalhos no local são realizados por mulheres, desde os mais pesados (como a construção do banheiro coletivo) aos mais leves. E diz que durante os mutirões, todos são chamados, mas quem aparece para colaborar são sempre as mulheres.

A Horta Marielle Braço Forte foi criada pela necessidade de complementar a alimentação dos ocupantes, que estão em situação de vulnerabilidade social pela falta de oportunidades de emprego e pelo sistema desigual de distribuição de renda. A horta foi construída onde antes havia uma cozinha solidária (desativada por falta de recursos) e é um local também para a socialização e espaço de aprendizagem na ocupação.

Rosilene Domingos participa ativamente da horta e diz que a rotina de estar em contato com a natureza contribuiu com a melhora da ansiedade e fez com que ela fizesse amigos no local.

“ Mudou muito minha vida, eu era uma pessoa muito fechada. Era do trabalho para casa e de casa para o trabalho. A partir do momento que conheci a horta, conheci as pessoas, fui melhorando minhas crises de ansiedade e recebi apoio das pessoas. Foi uma alegria. Conheci outras comunidades, participei de intercâmbios, só tenho a agradecer.”, diz Rosilene.

A Horta Marielle Braço Forte foi uma das hortas beneficiadas pelo projeto de criação e fortalecimento de hortas comunitárias e de quintais produtivos, desenvolvido pelo Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá, em parceria com a Casa Mulher do Nordeste e a organização não governamental Fase. A iniciativa é resultado da emenda parlamentar do deputado federal Túlio Gadelha (Rede), aprovada por meio do Termo de Fomento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O projeto também tem apoio da organização Misereor. Saiba mais:

Instagram da Ocupação 8 de Março: https://www.instagram.com/a_luta_e_pra_valer_/