A Sementeira Esperança, na comunidade XV de Novembro, município de Paulista, foi criada durante a pandemia da COVID-19, desde então o trabalho realizado majoritariamente por mulheres da comunidade vem sendo apoiado eventualmente por meio de parcerias com instituições.

Entre os anos de 2022 e 2023, juntamente com outras 14 comunidades, a horta foi apoiada por meio de uma iniciativa da Casa Mulher do Nordeste, do Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá e da organização não governamental Fase. Em parceria, as instituições executaram o projeto intitulado “Agricultura Urbana, produzindo comida de verdade e gerando qualidade de vida”, fruto de emenda parlamentar, aprovada por meio do Termo de Fomento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

 O espaço alugado era um terreno improdutivo, tendo sido transformado em horta comunitária pelas moradoras do local. Formado por mulheres, em sua maioria negras, o grupo atua em um sistema de auto-organização para lidar com as demandas da horta, realizando atividades semanais no local como mutirões e almoço coletivo — que é geralmente recheado por itens que elas encontram na própria horta, a berinjela, a folha de couve, o coentro, o manjericão, etc. Além das hortaliças, são cultivadas no espaço plantas ornamentais, medicinais e algumas plantas frutíferas.

Quinzenalmente o grupo recebe o acompanhamento da Casa Mulher do Nordeste (CMN). Jackline Gomes é educadora técnica em agricultura urbana da CMN e instrui as mulheres sobre os cuidados com a horta, além de realizar também um trabalho que estimula a incidência política e auto-organização das participantes enquanto grupo.

No ano de 2021, elas participaram da construção da Lei 5.014, que criou a política de apoio à agricultura urbana e periurbana do município do Paulista. Atualmente estão engajadas no trabalho coletivo em rede, movimentado pela Articulação de Agroecologia, Agricultura Urbana e Periurbana da Região Metropolitana do Recife (AUP RMR). Além disso, elas participam da Marcha Mundial das Mulheres (mobilização mundial que reúne mulheres numa campanha contra a violência e a pobreza, numa reivindicação pelo cumprimento de seus direitos).

Segundo Jackline, o maior desafio das hortas comunitárias é conquistar e acessar políticas públicas com recurso para fortalecer o trabalho e, consequentemente, garantir insumos, sementes, mudas, equipamentos, assessoria técnica continuada para agricultura urbana, etc. Afirma também que esta é uma estratégia criativa de enfrentamento à fome e de mitigação das mudanças climáticas.

Saiba mais:

https://www.casadamulherdonordeste.org.br/2023/06/22/encerramento-do-projeto-agricultura-urbana-reune-organizacoes-e-participantes-em-debates-sobre-direitos